sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Choro

Hoje vi as lágrimas irromperem pelos teus olhos enquanto me olhavas firmemente como se o mundo estivesse prestes a terminar. E aí tive a certeza que não eras mais um, mas que provavelmente serás meu. E questiono-me se, depois de ti, se os capítulos da nossa história se continuarem a escrever, irei conseguir sentir o que contigo sinto. Não o prazer, mas o amor que emana da tua alma, do sacríficio, do olhar tão transparente que quase consigo tocar a alma e beijá-la. 
E com o teu olhar de desilusão, de impotência face ao mundo, choro por te ver chorar. Choro por não ter o teu peito para chorar, as tuas mãos para me afagar e os teus lábios para me beijar. Choro por incerteza, por raiva contra tudo e todos mas sorrio por ter ouvido da tua boca tudo aquilo que uma mulher gostaria de ouvir. Passaram horas, mas parecem dias. Fosse eu só tua e tu só meu, sem mais ninguém, sem mais distância.

Ebulição

Embalaste-me na tua voz doce mas forte desde aquele dia em que os nossos olhos se demoraram a descruzar. Cantavas e paraste, saboreando o castanho caramelo que te olhava de volta como se desejasse o verde do teu olhar. E desejava sem desejar um olhar verde acender-se com os beijos calorosos e os abraços apertados. Ou com o calor dos corpos juntos, em plena ebulição de pensamentos, palavras e gestos. E é o teu coração que eu quero ouvir todos os dias. É no teu peito onde quero acordar, embalada pela melodia leve e alegre de um coração de carne partido que se conserta a cada dia. E é em ti onde me quero encontrar.